| Envelhecer não é sinônimo de perda de dentes. Preservá-los na terceira idade ajuda a prevenir diversos males.
Parcela expressiva dos brasileiros entrará no time dos grisalhos em alguns anos. Dessa forma, é importante garantir o bem-estar de seus dentes. Isso é capaz evitar desde problemas gástricos até má oclusão. Infelizmente, a turma da terceira idade não é alvo de campanhas de conscientização nesse sentido. "As crianças ainda são a prioridade quando se fala em saúde bucal", reconhece Gilberto Pucca, coordenador nacional de saúde bucal do Ministério da Saúde. "Se os idosos também fossem educados para ir ao dentista, mais da metade das doenças e extrações seria evitada", contabiliza Pucca.
Vários motivos prejudicam um pleno sorriso maduro. O pessoal que rompeu a barreira dos 60 vem de uma época em que os tratamentos dentários eram radicais. As restaurações eliminavam não só caries mas também partes saudáveis dos dentes. Sem falar que a extração era um recurso usado a torto e a direito. Daí a ala sessentona, com raras exceções, pensar que perder dentes é pra lá de natural. "Assim, os idosos não fazem o menor esforço para preservá-los", diz a odontogeriatria Denise Tibério, de São Paulo. "Eles não vão ao dentista e, quando aparecem no consultório, a doença já está instalada." A ausência de dentição pode provocar dores de cabeça, na coluna e má oclusão - os dentes remanescentes saem de sua posição para ocupar o espaço livre, causando toda a encrenca. A mastigação é a mais prejudicada. "O individuo que mastiga sobrecarrega o estomago e pode ter sintomas de gastrite", alerta a dentista Suzie do Vale, da USP, em Ribeirão Preto, no interior do Estado de São Paulo. Isso porque os alimentos chegam ali semm serem devidamente triturados.
Boa higiene bucal diária e pelo menos duas visitas anuais ao odontólogo são capazes de evitar que os mais velhos se tornem reféns de males dentários. "Uma doença de gengiva tratada a tempo pode evitar a perda de um dente", explica o dentista Warley Kerbauy, da Unesp, em São Jose dos Campos. As limitações motoras e visuais de alguns pacientes nessa faixa etária comprometem a limpeza. Uma opção é a higienizacao periódica com um profissional", diz o odontogeriatra Fernando Montenegro Brunetti, de São Paulo.
PANE NAS DEFESAS
Quando o nível de saliva cai, lá vem problema
Remédios como ansiolíticos e anti-hipertensivos são comuns na caixinha de medicamentos de vários idosos. Eles podem provocar uma leve queda do fluxo salivar, um golpe para o bem-estar bucal. "A saliva produz anticorpos e ajuda a formar o bolo alimentar", diz o estomatologista Celso Lemos Junior, da Universidade Ibirapuera, em São Paulo. A boca seca dificulta a fixação de próteses e abre porta para o acumulo de germes. Já existem géis e cremes que aliviam a sensação de secura. No entanto, muita gente prefere não apelar a esse recurso, alegando desconforto e pouco resultado. "Uma boa saída é pedir ao medico para indicar medicamentos sem esse efeito colateral", diz a dentista Maria Luiza Arantes Frigério, da Universidade de São Paulo (USP).
ZELO ESPECIAL
O odontogeriatra deve ter uma visão geral da saúde do paciente
Atender idosos exige que o dentista tenha bons conhecimentos sobre a saúde do organismo dos mais velhos. Daí a criação de uma nova especialidade, a odontogeriatria, reconhecida oficialmente no Brasil há um ano. "É preciso entender pelo menos o básico da ação dos medicamentos e sintomas das doenças para poder realizar determinados tratamentos", explica Fernando Montenegro Brunetti. N o entanto, todo esse preparo não exclui a necessidade de acompanhamento médico para garantir um atendimento mais seguro - os diabéticos, por exemplo, podem ter problemas de cicatrização e tendência a desenvolver doenças infecciosas. "Isso evita complicações em procedimentos mais complexos. Que exigem anestesia e em que há sangramentos", explica o dentista Plauto Watanabe, da USP, em Ribeirão Preto, no interior paulista.
REPOSICAO DENTÁRIA
O implante substitui a raiz de um dente perdido
Para realiza-lo, os especialistas inserem no osso um parafuso de titânio.
É ele que vai servir de suporte para fixar a prótese. Não há risco de rejeição, pois o titânio é um material integrável ao osso, ou seja, adapta-se numa boa a ele. "Trata-se de uma técnica segura e definitiva, mas deve ser recomendada por um especialista", diz Maria Luiza Arantes Frigério. Ela é contra-indicada quando há problemas ósseos ou doenças na gengiva. "O sucesso de um implante exige rigor com a higiene e visitas regulares ao dentista", acrescenta Maria Luiza. Sem isso, abrem-se brechas para infecções.
OS CUIDADOS NO DIA-A-DIA
Lance mão deste arsenal
Pasta de dente
Ter flúor na sua composição é fundamental. Em alguns casos, os especialistas indicam pastas específicas para dentes sensíveis. Dica: evite excessos e dê preferência aos tipos que têm consistência de gel, pois permanecem mais tempo na superfície dos dentes.
Prótese móvel
Deve ser removida por pelo menos oito horas para aliviar a mucosa. A limpeza é simples: água e sabão ou pastilhas efervescentes - bactericidas e fungicidas.
Fio dental
Seu uso diário é imprescindível, pois remove resíduos entre os dentes e ainda torna o hálito agradável. E não deve ser passado com força contra a gengiva.
Bochechos É preciso muita cautela quando se recorre a eles. A maioria dos anti-sépticos contem alto teor de álcool e agride a mucosa. Assim, os especialistas recomendam aqueles com menor concentração desse componente.
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